Veja o que falou o jornalista Leonardo Cruz, da Folha de São Paulo, que esteve ontem na estréia da Mostra Live Cinema do Festival do Rio:
"Cinema ao Vivo leva VJs, videoartistas e cineastas ao palco do Odeon. Com seus laptops, durante cerca de 20 minutos, eles improvisam ao vivo um remix de imagens e sons pré-gravados, criam uma obra experimental, não-linear, que na primeira sessão fez vibrar o chão da tradicional sala de cinema carioca. Esse tipo de proposta já vem sendo realizada há um tempinho no exterior e no Brasil, mas é rara em mostras cinematográficas".
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
AFINAL: O QUE É CINEMA AO VIVO?
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Hugo Naidin
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STANLEY NELSON NO RIO
Já chegou ao Rio o documentarista americano Stanley Nelson! Ele estará presente às estréias de todos os filmes que compõem a Mostra em sua homenagem, na Caixa Cultural e no CCJF. Nas sessões de hoje - abertura da Mostra, que vai até o dia 04 - Stanley apresenta dois filmes.
A IMPRENSA NEGRA AMERICANA: UM COMBATE SEM TRÉGUAS
(The Black Press: Soldiers Without Swords) 
Qui, 27/09 - Caixa Cultural 2 - 16h45
Ainda que ativos desde o século XIX, os jornais dedicados à comunidade negra são um dos segmentos menos conhecidos da imprensa norte-americana. Este é o primeiro relato sobre homens que arriscaram suas vidas para que os afro-americanos pudessem estar representados segundo suas próprias palavras e imagens. O documentário conta a história de jornais como o The Chicago Defender, que estimulava os negros do sul do país a migrarem para o norte, onde a convivência era mais amigável – como conseqüência, o jornal foi banido dos estados sulistas, mas continuou circulando graças aos condutores de trem, que transportavam exemplares clandestinamente. Outro caso apresentado é o The Pittsburgh Courier, que atraiu a atenção do FBI durante a II Guerra Mundial com uma campanha para que a batalha contra o Fascismo na Europa se estendesse à segregação dentro dos EUA. Nelson investiga como, ironicamente, estas publicações parecem ter sido vítimas de seu sucesso. Com a insurgência popular em nome dos Direitos Civis nos anos 60, a grande mídia também passou a cobrir a problemática racial, esvaziando o interesse pela imprensa negra.
O ASSASSINATO DE EMMETT TILL
(The Murder of Emmett Till) 
Qui, 27/09 - Caixa Cultural 2 - 19h15
Agosto de 1955. Emmett Till era um garoto de 14 anos que foi visitar o tio no Mississipi. Lá, Emmett foi acusado de ter assobiado para uma mulher branca. Três dias depois, o marido da mulher e um amigo invadiram a casa dos tios de Emmett e o seqüestraram – sem que estivessem usando máscaras ou qualquer outro disfarce. Mais três dias, e o garoto foi encontrado morto com um tiro na cabeça e o corpo tão mutilado que só pôde ser identificado por um anel em seu dedo. Os assassinos chegaram a ser incriminados, mas um júri composto apenas por brancos os libertou. O episódio se transformaria no ponto nevrálgico de toda a luta moderna pelos direitos dos negros nos Estados Unidos, graças principalmente à atitude da mãe de Emmett, que insistiu para que o velório de seu filho fosse com o caixão aberto. “Os negros vinham sendo linchados há 100 anos, mas até aquele momento não se sabia realmente do se tratava. Cinqüenta mil pessoas viram o corpo do menino, e as fotos circularam por todo o mundo. Com o filme, pretendi mostrar como a luta pelos Direitos Humanos é feita por pequenos heróis como a mãe de Emmett” – conta o diretor.
VEJA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA
O ASSASSINATO DE EMMETT TILL (EUA, 2003)
Dom, 30/09 - Caixa Cultural 2 - 14h15
Qui, 04/10 - C.C. Justiça Federal - 18h30
A IMPRENSA NEGRA AMERICANA: UM COMBATE SEM TRÉGUAS (EUA, 1998)
Sex, 28/09 - C.C. Justiça Federal - 18h30
Sáb, 29/09 - Caixa Cultural 2 - 14h15
JONESTOWN: VIDA E MORTE NO TEMPLO DO POVO (EUA, 2007)
Sexta - 28/09/2007 Caixa Cultural 2 19:15:00 hs
Domingo - 30/09/2007 Caixa Cultural 2 16:45:00 hs
Quinta - 04/10/2007 C.C. Justiça Federal 14:00:00 hs
MARCUS GARVEY: NO OLHO DO FURACÃO (EUA, 2001)
Sex, 28/09 - Caixa Cultural 2 - 16h45
Sáb, 29/09 - C.C. Justiça Federal - 20h30
Dom, 30/09 - Caixa Cultural 2 - 19h15
UM LUGAR SÓ NOSSO (EUA, 2004)
Sex, 28/09 - Caixa Cultural 2 - 14h15
Sáb, 29/09 - Caixa Cultural 2 - 19h15
Qui, 04/10 - C.C. Justiça Federal - 16h15
POR VIK BIRKBECK
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Hugo Naidin
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Como está o SEU peixe hoje?
No dia 25 de janeiro deste ano, meu vôo Rio-Paris atrasou, perdi minha conexão Paris-Amsterdam e tive que esperar a próxima. Impaciente no CDG, reli todo o material que eu havia impresso sobre o Festival de Rotterdam e minha atenção se voltou para o filme curiosamente intitulado de HOW IS YOUR FISH TODAY?. Era o primeiro longa da chinesa Xiaolu Guo, que tinha, além desse filme em competição, um novo projeto em desenvolvimento.
Duas horas depois, consegui minha conexão e ao pisar no aeroporto de Amsterdam, fui correndo para a Estação de trens pegar um para Rotterdam. Finalmente cheguei à cidade. Estava exausta, fazia quase 24 horas que eu havia saído do Brasil e, pior, tinha quer ir diretamente para a sede do Festival porque ficaria hospedada com uma amiga holandesa que estava trabalhando no Receptivo de lá. Ao entrar no De Doelen, fui em busca da minha credencial e da minha amiga. Ela havia saído com o júri. Vontade de chorar. Deixei minha mala com suas colegas e, recobrando a euforia, desci para a fila de retirada de ingressos.
O filme de Xiaolu Guo passava naquele mesmo dia um pouco mais tarde, seguido de outro que eu queria muito assistir e já estava marcado desde o Rio. Exausta, consegui finalmente encontrar minha amiga e segui para o hotel. Meia-hora depois, eu já estava pronta e rumei para a minha primeira sessão: DEBAIXO DO GELO A ÁGUA É QUENTE (HOW IS YOUR FISH TODAY?).
Recusei o convite para a cervejinha com amigos, segurei meu jet lag, meu sono, meu cansaço. Valeu a pena! Muito! No filme, três realidades diferentes interagem, levando a um final absolutamente inusitado. As fronteiras entre documentário e ficção são ultrapassadas. O roteiro escrito por Xiaolu Guo e Hui Rao (ambos atuam no filme) é formidável, para além do criativo. É com muito prazer que recomendo que vocês assistam e partilhem dessa adorável experiência.
DEBAIXO DO GELO A ÁGUA É QUENTE (HOW IS YOUR FISH TODAY?)
De Guo Xiaolu
(China, 2006)
EXPECTATIVA
Qui, 27/09 - Espaço de Cinema 1 - 12h15 (EC140)
Qui, 27/09 - Espaço de Cinema 2 - 17h00 (EC240)
Dom, 30/09 - Cine Glória (Memorial GV) - 15h30
Dom, 30/09 - Cine Glória (Memorial GV) - 21h00
POR TATIANA LEITE
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Hugo Naidin
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UMA NOITE EM BARCELONA
Diretor do premiadíssimo NA CAMA, o chileno Matias Bize vem ao Festival apresentar o seu novo trabalho, O BOM DE CHORAR, cujo argumento – assim como o do filme anterior – é aparentemente simples: ao longo de uma noite, um casal termina uma longa relação pelas ruas de Barcelona.
Bize é uma das grandes promessas da ficção latino-americana. Com apenas 23 anos, ainda na Escola de Cinema do Chile, dirigiu seu primeiro filme, SÁBADO, com o qual conquistou quatro prêmios no Mannheim-Heidelberg Film Festival (Alemanha) e a oportunidade de percorrer diversos festivais internacionais. Bize apresenta a sessão de hoje, no Espaço de Cinema.
O BOM DE CHORAR (LO BUENO DE LLORAR)
De Matías Bize
(Espanha, 2006)
PREMIERE LATINA
Qui, 27/09 - Espaço de Cinema 2 -12h30 (EC238)
Qui, 27/09 - Espaço de Cinema 2 - 19h15 (EC241) ! COM A PRESENÇA DO DIRETOR !
Sáb, 29/09 - Cine Santa - 21h30
Dom, 30/09 - Estação Ipanema 1 - 17h45 (IP148)
Dom, 30/09 - Estação Ipanema 1 - 22h15 (IP150)
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Hugo Naidin
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PAIXÃO POR HAITI
Primeiro país do novo mundo a se libertar do jugo da escravidão, ainda no século dezoito, sob o comando do líder revolucionário Toussaint l’Ouverture, o Haiti suscita uma paixão eterna nos seus filhos espalhados pelo mundo.
No início de HAITI QUERIDO, vemos um casal ainda adolescente sendo impedido pelo feitor da plantação de cana a sair do trabalho para enterrar o seu bebê. A escravidão continua, embora com outro nome. Mas não estamos em Haiti, e sim na vizinha República Dominicana, onde existe uma imensa colônia de trabalhadores haitianos, os mais pobres dos pobres, que, além do trabalho semi-escravo, ainda sofrem discriminação por serem estrangeiros.
Quando um jovem feitor tenta estuprar a belíssima Madeleine, que está tomando banho num açude, o marido Jean-Baptiste vem à sua ajuda dando um golpe fatal no homem. Eles são obrigados a fugir para não serem mortos. Clandestinos, sem documentos, Madeleine só tem um sonho: voltar ao Haiti.
O filme tem um naturalismo que parece documentário, os atores quase todos jovens, com a sensualidade à flor da pele. Vale a pena conferir.
HAITI QUERIDO (HAÏTI CHÉRIE)
De Claudio Del Punta
(Itália, 2007)
EXPECTATIVA
Qui, 27/09 - Espaço de Cinema 3 - 12h00 (EC343)
Qui, 27/09 - Espaço de Cinema 3 - 20h00 (EC347)
Sex, 28/09 - Est Barra Point 1 - 14h15 (BP129)
Sex, 28/09 - Est Barra Point 1 - 18h45 (BP131)
POR VIK BIRKBECK
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Hugo Naidin
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quarta-feira, 26 de setembro de 2007
O QUE É QUE A CORÉIA TEM?
Descobri o cinema coreano graças ao grande Im Kwon taek ainda na década de noventa. Mas foi em 2000 – meu primeiro ano de trabalho na Coordenação Internacional do Festival do Rio –, quando convidamos o impressionante filme The Isle, do Kim Ki-Duk, que passei realmente a pesquisar e batalhar por filmes vindos da Coréia do Sul. De lá para cá, uma sucessão dos novos diretores foram surgindo e os filmes sul-coreanos ganharam espaço em todos os grandes festivais do mundo e surpreendentemente nas próprias bilheterias, nacionais e internacionais.
Hoje, a Coréia do Sul é sem dúvida um dos maiores expoentes do cinema contemporâneo e a fonte parece estar sempre se renovando. Se Kim Ki-duk recentemente andou decepcionando (observo que somente aos cinéfilos, porque seus filmes ainda garantem algumas das mais altas bilheterias do cinema asiático fora do continente), diretores como Park Chan-Wook, da célebre trilogia da vingança (Sympathy for Mr. Vengeance, Oldboy e Lady Vengeance) e Hong Sang Soo (ver meu post anterior) revelaram um país de criatividade e ousadia incessantes. São misturas de gêneros, criações de novas linguagens através de uma fina ironia, da recente abertura sexual, da não-hesitação nas imagens. Há uma sede por cinema e por conhecimento de cinema.
Este ano a nossa seleção apresenta oito (bons) filmes coreanos. Alguns dos filmes são de diretores que vêm mantendo na última década uma cinematografia constante e de qualidade, como os já mencionados Hong Sang soo (Uma mulher na praia) e Kim Ki duk (Sem Fôlego - foto à direta).
Outros filmes foram realizados por cineastas mais novos, como O antigo jardim, de Im Sang so, que dirigiu há poucos anos a pequena obra-prima Une femme Coréene, exibido no Festival do Rio de 2005, além de Lee Jae-yong (As garotas safadas de Dasepo - foto à esquerda), diretor de Untold Scandals, interessante adaptação do romance “Ligações perigosas”.
As surpresas, no entanto, ficam por conta dos debutantes Kim Tai-sik, que realizou Na estrada com o amante da minha mulher (abaixo), um filme que toca em questões fundamentais como a solidão e a busca pelo amor, e Lee Hae-young e Lee Hae-jun, que dirigiram juntos o grande sucesso Like a Virgin, cuja temática bastante delicada é tratada com humor e muita criatividade.
Observo que sete destes filmes não estão comprados para o Brasil, portanto quem quiser conhecer melhor o que a Coréia tem, não pode deixar de assisti-los no Festival.
POR TATIANA LEITE
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Hugo Naidin
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SAINDO DO FORNO
Acaba de confirmar presença na sessão de hoje do filme argentino XXY no Cine Palácio o ator Ricardo Darín!
Darín está no Rio para apresentar seu primeiro filme como diretor - LA SEÑAL. Em XXY, Darín faz o papel do pai de Alex, uma adolescente hermafrodita que busca os caminhos de afirmação de sua sexualidade.
ANA LUIZA BERABA
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O PAPA AINDA É POP
Este filme foi ovacionado na mostra Um Certo Olhar da última edição do Festival de Cannes e conquistou nada menos que seis Kikitos de Filme Estrangeiro em Gramado – incluindo Melhor Atriz, para Virginia Mendéz, Melhor Ator, para César Trancoso, e Melhor Roteiro, que também é assinado pela dupla de diretores. O sucesso é ainda mais notável considerando que O BANHEIRO DO PAPA é o primeiro longa-metragem dos uruguaios Enrique Fernández e César Charlone – este último, diretor de fotografia de Cidade de Deus (Fernando Meirelles, 2001) e da série televisiva Cidade dos Homens.
De Enrique Fernández e César Charlone
(Uruguai, 2007)
PREMIERE LATINA
Qua, 26/09 - Espaço de Cinema 1 - 16h45 (EC135)
Qua, 26/09 - Espaço de Cinema 1 - 21h15 (EC137)
Sex, 28/09 - Estação L. Alvim 1 - 14h00 (LA036)
Sex, 28/09 - Estação L. Alvim 1 - 22h00 (LA040)
Dom, 30/09 - Cine Santa - 21h30
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Hugo Naidin
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UM CHE PARA CHAMAR DE SEU
Muitos filmes já tentaram desvendar a verdade por trás do mito de Che Guevara. Este documentário, ao contrário, pretende explorar o mito por trás da verdade. No momento em que se lembram os 40 anos de morte do revolucionário argentino, PERSONAL CHE mostra como ele permanece vivo, e de certo modo atuante. Para realizar as entrevistas, a dupla de diretores – o brasileiro Douglas Duarte e a colombiana Adriana Mariño, que se conheceram num fórum de documentaristas na internet – visitou nada menos que doze países nos quatro cantos do mundo.
O filme traz inúmeros personagens para os quais a História parece ter pouca importância diante do desejo de ver o ídolo sob uma lente pessoal. É o caso de um deputado em Hong Kong que usa Che para lutar contra os comunistas chineses; um camponês boliviano que reza para San Che o ajudar a conseguir trabalho na Espanha; um nazista na Alemanha que o idolatra; uma ópera- rock no Líbano sobre sua vida; um cubano exilado que o considera um terrorista; entre outros. “É o tema menos original que existe; não escolhemos o tema, mas a abordagem. Decidimos fugir das coisas que um documentário tradicional teria; não temos imagens de arquivo dele vivo nem narração. Mais importante: no filme não há ninguém que tenha conhecido o Che. Deixamos os fatos pra lá e fomos atrás de invenções sobre ele” – explica o diretor.
Douglas Duarte e Adriana Mariño vêm ao Festival para a estréia do filme nesta quarta-feira, que será seguida pelo debate
ENTRE A UTOPIA E A REALIDADE: AS VEIAS FUTURAS DA AMÉRICA LATINA.
Além da dupla de diretores, o evento contará com a presença de Carlos Alberto Mattos, crítico de cinema do jornal O Globo.
PERSONAL CHE
De Douglas Duarte e Adriana Marino
(Colômbia, 2007)
DOC LATINO
Qua, 26/09 - C.C. Justiça Federal - 18h30 ! SEGUIDO DE DEBATE COM OS DIRETORES !
Qui, 27/09 - Cine Glória (Memorial GV) - 17h15
Sex, 28/09 - Espaço de Cinema 2 - 14h00 (EC245)
Sex, 28/09 - Espaço de Cinema 2 - 21h00 (EC248)
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Hugo Naidin
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EM GUERRA POR UMA FAMÍLIA
TERRA SONÂMBULA terá Sessão de Gala amanhã com a presença da diretora portuguesa Teresa Prata. O filme é baseado no romance homônimo do escritor moçambicano Mia Couto. É o primeiro longa-metragem de Teresa, que leu o livro quando ainda era estudante de cinema em Berlim (depois de ter passado a infância na África e a adolescência no Brasil). A obra narra a trajetória de Muidinga, um sonhador menino moçambicano que procura a família num cenário de guerra civil. “É uma história de soldados sem soldados; é sobre os efeitos do conflito nas pessoas normais, que não têm dinheiro para abandonar o país. São pessoas que carregam seus sonhos nas costas, sofrendo a guerra na voz, no corpo” – diz a diretora.
Quando encontra um diário de uma mulher que vive num navio ancorado e procura pelo filho, Muidinga se convence de que ele é a criança perdida, e sai em busca da mãe. Na viagem é acompanhado por um velho que o quer como filho, mas não consegue demonstrar seu afeto. Quase todos os atores são moçambicanos e não profissionais, inclusive o protagonista, um menino de apenas 12 anos que respondeu aos anúncios colocados em jornais e revistas do país. “O filme respeita o espírito do livro. A diretora soube escolher o essencial, que é o realismo mágico e a intimidade em relação aos personagens. É um filme sério e limpo” – disse Mia Couto, que vem a ser o escritor moçambicano mais lido fora do país, com várias de suas obras já adaptadas para o cinema.
TERRA SONÂMBULA
De Teresa Prata
(Portugal, 2006)
EXPECTATIVA
Qui, 27/09 - Espaço de Cinema 2 – 14h45 (EC239)
Qui, 27/09 - Espaço de Cinema 2 – 21h30 (EC242)
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terça-feira, 25 de setembro de 2007
Na crista da Nouvelle Vague Coreana
Há alguns anos acompanho o cinema de Hong Sang-Soo. O cineasta coreano dirigiu seu primeiro longa-metragem A Pig Fell Into The Wall em 1996 - Prêmio de Melhor Filme em Rotterdam -, e a partir do segundo filme teve a maioria de seus trabalhos selecionados para o Festival de Cannes. Foi com Virgin Stripped Bare by Her que percebi realmente a importância do cinema de Hong Sang-Soo, que seus diálogos aparentemente frugazes são na verdade o embasamento de uma arquitetura complexa de conexões e repetiçoes que minam um trabalho supostamente realista.
Sobre seu mais recente filme, UMA MULHER NA PRAIA, que será exibido hoje pela primeira vez no Festival, ele declarou: “Acredito que todos nós temos um desejo secreto de compreender os acontecimentos que nos rodeiam e o significado da vida (...). Eu procuro observar esses acontecimentos a fim de compreender melhor quem somos. O Cinema me ajuda a fazer isso”. Um cinema de reflexões, com humor, fina ironia e uma câmera incessante, sempre buscando desvendar os mistérios dos personagens. Os que o conhecem, imagino que já tenham comprado ingresso para o filme; os que não o conhecem deveriam se permitir a viagem.
UMA MULHER NA PRAIA (Woman on the Beach)
De Hong Sang-Soo
(Coreia do Sul, 2006)
PANORAMA
Ter, 25/09 - Espaço de Cinema 3 - 13h45 (EC330)
Ter, 25/09 - Espaço de Cinema 3 - 21h30 (EC334)
Sáb, 29/09 - Est Barra Point 1 - 14h15 (BP133)
Sáb, 29/09 - Est Barra Point 1 - 18h45 (BP135)
POR TATIANA LEITE
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Hugo Naidin
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Quando a liberdade é apenas outra forma de prisão
Cineastas independentes israelenses mostram as situações extremas em que vivem os palestinos.
9 STAR HOTEL mostra a extraordinária luta travada por jovens operários palestinos que cruzam a fronteira de Israel como clandestinos para poder trabalhar, construindo prédios de luxo para os israelenses. O cineasta os acompanha correndo pela fronteira, passando a noite de sobressalto em abrigos e fugindo da polícia. Visto inteiramente do ponto de vista dos clandestinos, nos tornamos testemunhas de sua luta desumana para poder trabalhar e sustentar a família.
Em contraste, a vida dos detentos palestinos na prisão de Estufa parece até luxuosa. Depois de perceber que, ao reservar certa liberdade para os presos políticos a Estufa se tornava bem mais tranqüila e organizada, as autoridades israelenses passaram a permitir que os líderes do Fatah e do Hamas ficassem juntos (cada partido numa célula diferente), concordando ainda em negociar as condições de visitas. A prisão, assim, vai assumindo ares de um claustro, onde todos rezam e discutem questões de doutrina. As eleições para a Autoridade Palestina são acompanhadas com grande interesse – com muitos dos presos despontando como candidatos!
HOTEL 9 ESTRELAS (9 STAR HOTEL)
De Ido Haar
(Israel, 2006)
DOX
Qua, 26/09 - Estação Botafogo 3 - 14h45 (EB332)
Qua, 26/09 - Estação Botafogo 3 - 21h30 (EB335)
Qui, 27/09 - Estação L. Alvim 1 - 16h15 (LA032)
Qui, 27/09 - Estação L. Alvim 1 - 20h00 (LA034)
POR VIK BIRKBECK
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segunda-feira, 24 de setembro de 2007
ALEX, M ou F?
Este é um filme tão especial quando o seu personagem principal: Alex é hermafrodita. Os pais optam por não realizar a cirurgia de mudança de sexo, mas administram hormônios para evitar o aparecimento de características masculinas na criança. A família vive isolada em meio a dunas, até que recebe a visita de um casal de amigos, trazendo com eles o filho, Alvaro – adolescente como Alex.
Primeiro longa-metragem da portenha Lucía Puenzo - que estará presente à sessão desta quarta-feira -, “XXY” recebeu o Prêmio da Crítica no último Festival de Cannes. Para a diretora, o que difere seu filme de outros que já abordaram esse tema é a empatia que a câmera demonstra por Alex. “O personagem não é visto como um freak, porque o filme foge da morbidez o tempo todo. Não caí na tentação de mostrar a deformidade nem na cena de sexo entre Alex e Alvaro; queria representar dois jovens sendo surpreendidos, mas não uma anormalidade. Uma coisa é o público conhecer o personagem, outra é mostrar a sua genitália” – diz Lucía.
Apesar das várias questões propositadamente deixadas em aberto pela diretora, uma ganha resposta intrigante ao final do filme: entre ser homem ou mulher, Alex se liberta da necessidade de escolher.
XXY
De Lucía Puenzo
(Argentina, 2007)
MUNDO GAY
Ter, 25/09 - Est Barra Point 1 - 21h00 (BP120)
Qua, 26/09 - Palacio 2 - 14h00 (PL221)
Qua, 26/09 - Palacio 2 - 20h00 (PL223) ! COM A PRESENÇA DA DIRETORA !
Sex, 28/09 - Estação Botafogo 1 - 23h59 (EB156)
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Estepes patagônicas como receita contra a dor
Passa hoje no Espaço de Cinema NASCIDO E CRIADO, o melhor filme da carreira de Pablo Trapero, diretor dos ótimos MUNDO GRÚA e EL BONAERENSE e do simpático FAMÍLIA RODANTE, exibido no Festival do Rio 2005.
Sozinho nas áridas planíces patagônicas, o protagonista reinventa sua vida como se tivesse sido nascido e criado ali. Sobrevive caçando coelhos e lutando contra sua mente que insiste em lembrá-lo que nem sempre sua vida foi assim. Um filme de extrema delicadeza que trata da dor da perda, dos embates contra a memória, da solidão. Trapero diz que a idéia surgiu quando nasceu seu filho e passou a conviver com fantasias assustadoras sobre a perda. Imperdível.
NASCIDO E CRIADO (NACIDO Y CRIADO)
De Pablo Trapero
(Argentina, 2006)
PREMIERE LATINA
Seg, 24/09 - Espaço de Cinema 2 - 19h15 (EC223)
Sex, 28/09 - São Luiz 3 - 16h30 (SL030)
Sex, 28/09 - São Luiz 3 - 21h30 (SL032)
Sáb, 29/09 - Cine Santa - 17h00
POR ANA LUIZA BERABA
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Ana Luiza Beraba
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Em plena felicidade por exibir A FLORESTA DOS LAMENTOS
O filme ganhou o Grande Prêmio em Cannes este ano e ainda não foi lançado comercialmente, portanto conseguir uma cópia para trazer ao Festival foi um trabalho árduo que durou alguns meses. Explicar aos produtores e distribuidores que todos os cariocas que há poucos anos assistiram Shara estavam sofrendo de grande ansiedade para assistir A Floresta dos Lamentos valeu a pena. O filme está aqui e será exibido hoje pela primeira vez no Festival do Rio.
Se eu fosse você, saía correndo para pegar as chaises longs do Laura Alvin, porque certamente A Floresta dos Lamentos é um filme mágico, que merece ser contemplado com a maior tranqüilidade e conforto possível!
FLORESTA DOS LAMENTOS (The Mourning Forest)
De Naomi Kawase
(Japão, 2007)
PANORAMA
Seg, 24/09 - Estação L. Alvim 1 - 18h (LA018)
Seg, 24/09 - Estação L. Alvim 1 - 19h50 (LA019)
Sáb, 29/09 - Espaço de Cinema 2 - 14h30 (EC251)
Sáb, 29/09 - Espaço de Cinema 2 - 21h30 (EC254)
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REGGAE, UM ESTILO DE VIDA

Bogle, um astro jamaicano, é baleado na rua. Trágico e cotidiano, este evento serve como ponto de partida para se desvendar todo o movimento do reggae. MADE IN JAMAICA remonta ao nascimento do gênero musical na Jamaica, nos anos 70, quando pela primeira vez um país do terceiro mundo teve sua voz ouvida em tão larga escala. Ao lado de músicos consagrados como Bunny Wailer e Toots, que insistem na pureza do chamado roots reggae, o filme apresenta uma segunda geração de artistas, com um novo estilo, o dancehall, que já atrai multidões em todo o mundo. Naturalmente influenciado pelo gênero que o precedeu, o dancehall contem a mesma essência religiosa, mas, como o rap, suas letras tratam de sexo, violência e política, principalmente os direitos das mulheres. Ao longo das entrevistas, percebe-se a luta dos músicos para sair de seu gueto nativo e alcançar a fama internacional.
Além dos depoimentos, o filme traz performances clássicas e gravações inéditas, deixando transparecer todo o espírito do movimento jamaicano – que cativou inclusive o próprio diretor do filme. Nascido na França, Jérôme Laperrousaz vem de uma premiada carreira como diretor de comerciais e curtas-metragens, tendo surpreendentemente pouca relação com a Jamaica até antes do filme. “A Jamaica é uma nação com apenas três milhões de pessoas, e ainda assim sua música pode ser ouvida em todos os recantos do mundo. Do ponto de vista criativo, é uma superpotência. Com esse filme, quis mostrar o porquê” – explica o diretor.
MADE IN JAMAICA
De Jérôme Laperrousaz
(França, 2006)
DOX
Seg, 24/09 - Estação Botafogo 3 - 14h45 (EB320)
Seg, 24/09 - Estação Botafogo 3 - 21h30 (EB323)
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domingo, 23 de setembro de 2007
DO VERMELHO AO DOURADO...
Formado na Academia de Cinema de Pequim, Zhang Yimou é o maior expoente da chamada Quinta Geração do cinema chinês. Esta Geração, formada por diretores cinéfilos, emergiu nos anos oitenta de uma China em grave crise econômica. Sofrendo desde seus primeiros filmes forte repressão do Estado Chinês, foi acolhida por público e critica internacional. O SORGO VERMELHO, primeiro longa de Yimou - Urso de Ouro em Berlin -, foi um dos filmes que permitiram que o talento dessa Geração fosse propagado nos quatro cantos do mundo, e atraiu investidores estrangeiros que financiaram suas produções subseqüentes. ESPOSAS E CONCUBINAS, LANTERNAS VERMELHAS e A HISTORIA DE QIU JIU foram filmes que trouxeram a Zhang enorme reconhecimento internacional e que também lançaram a atriz Gong Li, uma das musas do cinema contemporâneo.
A partir de um determinado ponto, Yimou passou a fazer filmes mais melosos ou edificantes, para finalmente engatar em superproduções como O CLÃ DAS ADAGAS VOADORAS, que esteticamente são belíssimos e que criaram um novo gênero no cinema chinês, mas que não deixam de anunciar a busca por um cinema mais comercial. Sua mais recente superprodução, A MALDIÇÃO DA FLOR DOURADA é um dos destaques do Foco China, país merecidamente homenageado no Festival do Rio este ano. Como não poderia deixar de ser, o filme é garantia de prazer estético para qualquer espectador!
A MALDIÇÃO DA FLOR DOURADA (Curse of the golden flower)
De Zhang Yimou
(China, 2006)
FOCO CHINA
Ter, 25/09 - Leblon 1 - 16h30 (LB018)
Ter, 25/09 - Leblon 1 - 22h (LB020)
POR TATIANA LEITE
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ALÉM DE TUDO
Adrian Belic nasceu e cresceu nos Estados Unidos, numa casa onde o pai falava servo-croata e a mãe, tcheco. Ele e o irmão, Roko, só foram aprender inglês ao entrar na escola. Aos nove anos, começou a fazer filmes com o irmão e o amigo Christopher Nolan (o mesmo do BATMAN e MEMENTO). Diz ele que, ao ver Guerra nas Estrelas com sete anos de idade, soube que o que queria na vida era fazer cinema. Adrian e Roko fizeram seu primeiro filme profissional, GENGHIS BLUES, ao terminarem o colégio. Este documentário, sobre músicos singulares de um país do qual ninguém nunca tinha ouvido falar - Tuva - nas montanhas no norte da Mongólia, correu mundo arrebatando prêmios até ser nomeado para o Oscar de Melhor Documentário em 2000. Numa das muitas exibições do filme, apareceu um médico ex-militar, Ed Artis, que começou a contar histórias tão incríveis que os irmãos marcaram uma entrevista com ele. O que era para ser uma conversa de meia-hora durou seis horas e meia. Quando finalmente o médico foi embora, os irmãos concluíram que se a metade do que ele dizia fosse verdade, teriam o próximo filme.
No dia seguinte foram procurados por Dr. James Laws, corroborando a história que viria a ser ALÉM DO DEVER. Depois do sucesso de GENGHIS BLUES, Adrian achou que fazer o segundo filme seria mais fácil, mas não era bem assim. Os primeiros dois anos foram financiados por empréstimos pessoais, enquanto Adrian correu mundo atrás dos Knightsbridge International – três ex-militares sessentões numa missão que reunia elementos de Madre Teresa de Calcutá com Indiana Jones. Ajuda humanitária sim, mas só com aventura. Dizem os três cavaleiros que eles não se metem em política, não são evangélicos e são independentes de qualquer ajuda externa. No entanto, eles aparecem no filme atravessando rios e montanhas, levando caminhões de remédios, comida e barracas para os lugares mais distantes da terra – Afeganistão, Burma, Filipinas. Diz Adrian que um dos aspectos mais interessantes de ALÉM DO DEVER é que o filme é bem recebido tanto por jovens quanto por associações de terceira idade, Rotary clube, militares ou universitários. Os militantes de esquerda se espantam ao ver ex-militares aposentados fazendo coisas que eles sonham mas nunca tiveram coragem de fazer. Nesse sentido, o filme vai criando pontes e funciona como inspiração especial para as ONGs e organizações de voluntariado.
Quem vê Adrian Belic circulando pelo Festival do Rio se encanta com o seu bigode singular, inspirado nos músicos de Genghis Blues, e nos brinquedos que traz consigo. Criança, gostava muito de brincar com os bonecos de ação inspirados nos filmes de Guerra nas Estrelas e Indiana Jones. Ao procurar algo para promover a estréia de ALÉM DO DEVER em Nova Iorque , Adrian convidou um amigo cinegrafista para criar três bonecos com as feições do Ed Artis, James Laws e Walt Ratterman, os três heróis-personagens do documentário. Aonde vai, Adrian leva os bonecos, que acharam uma casa temporária numa vitrine exposta na Tenda do Festival do Rio em Copacabana.
Adrian Belic fica no Rio até o final do Festival e se dispõe a falar sobre o seu filme para grupos ou organizações interessados.
Contato: wadirum1@aol.com
ALÉM DO DEVER (Beyond the Call)
De Adrian Belic
(EUA, 2006)
FRONTEIRAS
Seg, 24/09 - Caixa Cultural 1 - 16h30
Ter, 25/09 - Estação Botafogo 3 -12h30 (EB325)
Ter, 25/09 - Estação Botafogo 3 - 19h15 (EB328)
Postado por
Ana Luiza Beraba
às
13:38
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EVO MORALES BEM DE PERTO
COCALERO é um registro minucioso dos últimos meses da campanha política de Evo Morales, período em que o candidato percorreu toda a Bolívia – sempre de jeans e tênis – angariando os votos que o transformariam no primeiro presidente indígena da história do país. O documentário também desvenda o funcionamento da organização sindical por traz de Evo, através da figura central de Leonilda Zurita, líder dos chamados “cocaleros”.
Mas este filme não é apenas sobre a recente reviravolta boliviana, e sim um retrato histórico de toda a América Latina, com suas culturas marcadas por tensão e descrença, conforme explica o diretor Alejandro Landes: “Evo é a síntese da mestiçagem da região - um índio aymará que virou sindicalista para defender o cultivo da coca ante a política norte-americana, gerando uma onda nacionalista que o levou à condição de salvador”.
Além disso, qualquer semelhança com Entreatos, de João Moreira Salles, e Peões, de Eduardo Coutinho, não será mera coincidência: Landes – que nasceu no Brasil, mas com apenas um ano mudou-se com os pais para o Equador – diz ter se inspirado fortemente nas obras dos cineastas brasileiros para realizar este que é seu primeiro filme. “O Evo é um sindicalista, como Lula; há uma parte do filme com a temática indígena, mas o coração da história é o sindicato dos plantadores de coca, o que remete a Peões. Por outro lado, COCALERO apresenta um Evo muito íntimo, muito de perto, como se pode ver em Entreatos. Quero levar o filme ao Brasil e mostrá-lo para o João e para o Coutinho”.
COCALERO
De Alejandro Landes
(EUA, 2006)
DOC LATINOS
Dom, 23/09 - Espaço de Cinema 2 - 14h45 (EC215)
Dom, 23/09 - Espaço de Cinema 2 - 21h45 (EC218)
Seg, 24/09 - Caixa Cultural 1 - 19h00
Qua, 26/09 - Caixa Cultural 1 - 16h30
Qua, 03/10 - Cine Santa - 17h00
Postado por
Hugo Naidin
às
10:48
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ÚLTIMA CHANCE DE CAMINHAR PARA A VIDA!
Neste domingo, 23/09, às 16:00 no Ciné Glória, (Memorial Getulio Vargas) é a última chance de ver um delicado documentário que adentra ao mundo sofrido das mulheres etíopes camponesas. Diferente do interior do Brasil, com sua forte cultura de parteiras para assistir os partos dos mais pobres, a Etiópia apresenta um índice alarmante de mulheres que sofrem danos físicos com o parto. Como as mulheres na quase totalidade de países em desenvolvimento, às etíopes cabe todo o trabalho pesado de buscar água, lenha... As meninas carregam pesos imensos desde a mais tenra idade e ainda são casadas aos dez ou doze anos de idade. Ao engravidar, muitas vezes a pequena estatura delas não agüenta o parto. Além do sofrimento de perder o neném, muitas ficam incontinentes. Em seguida são rejeitadas pela família e pela comunidade, que acreditam que elas estão amaldiçoadas.
Em 1974 um casal de ginecologistas ingleses, trabalhando na Etiópia desde 1959, criou o Fistula Hospital em Addis Abeba, especializado em tratar dessas mulheres. Desde então realizam aproximadamente 1500 cirurgias reparativas por ano. Mary Olive Smith - que está no Rio para apresentar o seu filme! - leu uma reportagem sobre o hospital no New York Times e começou uma pesquisa que a levou até o interior da Etiópia em busca de mulheres que procuravam tratamento. Além das duas mulheres escolhidas pela sua equipe no próprio hospital, ela achou mais três, que foram acompanhadas no longo caminho por um país com poucas estradas e transporte público precário. Uma dessas meninas tinha aguardado seis anos no ponto de ônibus para conseguir a quantia (aproximadamente R$ 40) necessária para a viagem. Uma vez que chegam ao hospital, as mulheres encontram não somente o atendimento médico de que tanto precisam, mas uma comunidade calorosa que sofre dos mesmos problemas, num ambiente limpo e tranqüilo, propicio à recuperação.
Surpreendente no filme é a candura com que elas contam as suas histórias e a intimidade que atravessa as barreiras de língua e cultura. Como diz a diretora: "As questões de gravidez e parto são tão universais que a comunicação é fácil, e no caso dessas mulheres o isolamento e a rejeição que sofreram foram tão extremos que elas ficam felizes apenas com a possibilidade de serem ouvidas. Também o ambiente do hospital já é tão diferente para elas, que nós (a equipe) com nossas máquinas, éramos apenas mais um elemento dessa estranheza". A possibilidade de voltar à vida também levou a um questionamento para três das cinco heroínas do filme, que, depois da cura, não quiseram retornar às mesmas condições de opressão.
CAMINHANDO PARA A VIDA, além da bela trilha sonora etíope, é uma chance única de conhecer essa outra realidade.
POR VIK BIRKBECK
Postado por
Hugo Naidin
às
09:01
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